Membros do grupo de apoio a Flávio Bolsonaro avaliam que o congressista enfrentará forte resistência para aprovar uma emenda constitucional focada na redução de despesas públicas no período de transição, caso vença a disputa presidencial em 25 de outubro. Além da impopularidade inerente às medidas de ajuste fiscal, parlamentares que não conquistaram a reeleição tendem a demonstrar menor disposição para apoiar medidas duras antes do encerramento dos seus mandatos.
Outro entrave central envolve as prioridades dos aliados do senador, que pretendem concentrar esforços na situação jurídica dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O Congresso aprovou no final de 2025 uma legislação sobre dosimetria para diminuir as penas dos envolvidos, medida que foi vetada por Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2026. Após a derrubada do veto pelos parlamentares em abril, a aplicação da lei acabou suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mantendo o caso pendente nos tribunais.
Cenário legislativo e comando do Congresso
A articulação de uma matéria econômica torna-se ainda mais complexa pelas diferenças em relação ao cenário de 2022, quando uma emenda constitucional aprovada pela equipe de transição previa elevação de investimentos, medida de aceitação mais simples entre os parlamentares. Para além disso, o comando das duas Casas legislativas apresenta distanciamento político em relação à candidatura de oposição.
Atualmente, a Câmara dos Deputados é presidida por Hugo Motta, que manifestou alinhamento à reeleição de Lula, enquanto o Senado está sob liderança de Davi Alcolumbre, interlocutor mais afinado com a gestão petista. A tensão entre o grupo político de Flávio e Alcolumbre se intensificou após o chefe do Legislativo criticar pressões por pedidos de destituição de Moraes. Na ocasião, o senador declarou: “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e agora o culpado sou eu e o ministro Moraes”.
A indefinição quanto à continuidade de Motta e Alcolumbre nas presidências a partir de fevereiro de 2027 também limita o avanço de acordos expressivos de contenção de despesas antes do início oficial de um novo governo.
Com informações do Poder360.




