Em meio à campanha para o segundo turno presidencial, o senador Flávio Bolsonaro manifestou a intenção de colocar o Brasil no Escudo das Américas caso vença o pleito. A iniciativa consiste em uma coalizão idealizada pela gestão de Donald Trump voltada ao enfrentamento do crime organizado e do narcotráfico no continente americano.

A posição foi detalhada durante um diálogo com o chefe de Estado da Colômbia, Abelardo de la Espriella, veiculado na internet por canais ligados à campanha e ao deputado Eduardo Bolsonaro. Na ocasião, o postulante destacou o desejo de alinhamento com os integrantes da iniciativa multilateral.

"Vou, com muita vontade e com muita honra, querer fazer parte do Escudo das Américas para cooperar com a Colômbia e com todos os demais países que se unirem para combater essas facções narcoterroristas", declarou Flávio. Ele complementou que os criminosos "estão muito preocupados com a minha eleição e têm que ficar mesmo, porque eu vou implementar um regime muito duro aqui no Brasil e vou precisar muito conversar com o senhor para esse intercâmbio de informações".

Divergências diplomáticas e disputa eleitoral

No mês de setembro, as 15 nações signatárias do grupo aprovaram medidas integradas mirando 24 grupos classificados como narcoterroristas, rol que engloba as organizações brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Fazem parte do bloco, além de Estados Unidos e Colômbia, governos como Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

Em contrapartida, a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a atuação do pacto como uma via para expandir a interferência dos Estados Unidos na América Latina. O Palácio do Planalto considera a medida um precedente preocupante, comparável a uma retomada da Doutrina Monroe, com potencial de estender a influência norte-americana para áreas como infraestrutura, minerais críticos e o mercado digital.

O cenário polariza a corrida eleitoral no país. Na votação inicial da disputa pela Presidência, o representante do PL obteve 56.104.503 votos, o que representou 47,03% do total, superando os 53.879.538 votos (45,16%) conquistados pelo atual mandatário.

Com informações do Poder360.